quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Novembro

Pobre novembro.
Não tem data, sem identidade. Luzes piscantes são penduradas em seu mês; mas não para contemplá-lo. Elas esperam dezembro. Todos aguardam por ele.

A árvore da Natal também ri de novembro. Triste é ser como ele.
As bolinhas coloridas giram ansiosas pelo o que estar por vir, não por novembro.

Enquanto isso, novembro segue seus dias inconformado. Se sente só, quase um Van Gogh. Não é novembro por vocação, mas por desespero.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O apagão e os jornalistas

Na última terça-feira, o apagão na cidade de São Paulo começou às 22h. A princípio o que parecia apenas uma queda de energia se mostrou mais grave quando, ao olhar pela janela, percebi que a escuridão tomava conta, não só do meu prédio, como de toda a cidade. Outro indício de que não era um blecaute comum, foi falar ao celular com a minha mãe e a ouvir dizer que em Araçatuba também não havia luz.

Alguma coisa estava errada e essa provavelmente era a hora em que os jornais impressos se preparavam para fechar já com as manchetes prontas e com todo conteúdo organizado para ir à gráfica. Comentei com a minha irmã, que mora comigo aqui na paulicéia, que os jornalista teriam que madrugar aquela noite para reportarem o assunto no dia seguinte. Ela duvidou que houvesse tempo e replicou dizendo que fechariam a edição sem as notícias do fato caótico.

Na manhã seguinte, acordei cedo e fui correndo à porta pegar o jornal do dia. Ao ver a capa, sorri orgulhosa. Manchete da capa e duas duplas (!) traziam informações e entrevistas com moradores da cidade e com autoridades sobre as possíveis causas da pane elétrica. Na televisão, os jornais também traziam imagens dos momentos vividos por pessoas que não conseguiram ir para a casa, ficaram presas em um trânsito de semáforos apagados e sem saída em elevadores parados.

Não foi fácil a correria dos jornalistas que trabalharam nessa cobertura após um dia intenso de apuração de notícias e horas em frente ao computador. Um esforço que parecia ter se finalizado às 22h, mas que se estendeu até altas horas. Entretanto, são nesses momentos que eu tenho ainda mais orgulho da nossa profissão. No dia seguinte à confusão, a primeira coisa que qualquer cidadão curioso fez ao se levantar foi ligar a TV, pegar o jornal ou acessar a web. E ter acesso a essa informação, ainda que feita de forma automática, só foi possível graças a um profissional que se dedicou e trabalhou para tornar isso possível.

Jânio de Freitas, colunista da Folha de São Paulo, disse em um texto para o livro Jornalismo Diário, da jornalista Ana Estela de Sousa Pinto, que a essência do jornalismo é feita de uma combinação simples: “o interesse de uma coletividade em saber do mundo em que vive e a disposição de satisfazê-la, em certa medida, por quem possa fazê-la.” Mesmo que para alcançar esse objetivo eles tenham que encarar noites mal dormidas, imprevistos e corridas atrás de informações um tanto quanto obscuras.

Episódios como esse funcionam como um clique para nos lembrarmos de que a notícia não vem pronta. Ela é resultado de um processo que envolve muita apuração, investigação e vontade de se levar o fato até o conhecimento público. O jornalista é um eterno inconformado. Um profissional que se incomoda com tudo o que acontece no mundo, que precisa gritar e levar adiante o que vê. E o esforço que se dá para fazer isso é recompensado ao perceber que muitas pessoas são beneficiadas com a informação.

Não é incomum estudantes de jornalismo questionarem os já formados, se vale a pena seguir na profissão, mesmo sendo tão instável. Acho que não preciso responder, não é?

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Jovens políticos

Tem pautas que surgem como um clique. Há um tempo entrevistei dois meninos muito jovens que, surpreendentemente, querem seguir carreira política. Ficou curioso? Veja o vídeo abaixo.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Raul Seixas

A primeira vez que ouvi a música (que segue abaixo) foi no carro de um amigo há umas duas semanas. A minha relação com o Raul Seixas é a mesma que eu tenho com o Legião Urbana. Não adoro, não desgosto. Mas a letra da maioria das músicas, é muito boa. Esta abaixo é a mais nova do Raul, que só não foi lançada no ano da sua composição (1974) por causa da ditadura. Gostei muito logo na primeira vez que eu ouvi porque o cantor tinha sacadas e questionamentos (às vezes até inocentes) muito espertos, que nós, muitas vezes, temos vontade de fazer, mas não sabemos como. Por isso, esta é que fica para o feriado:

Por que que o sol nasceu de novo e não amanheceu?
Por que que tanta honestidade no espaço se perdeu?
Por que que o Cristo não desceu lá do céu e o veneno só tem gosto de mel?
Por que que a água não matou a sede de quem bebeu?

Por que que eu passo a vida inteira com medo de morrer?
Por que que os sonhos foram feitos pra gente não viver?
Por que que a sala fica sempre arrumada se ela passa o dia inteiro fechada?
Por que que eu tenho a caneta e não consigo escrever? (Escrever)

Por que que existem as canções que ninguém quer cantar?
Por que que sempre a solidão vem junto com o luar?
Por que que aquele que você quer também já tem sempre ao teu lado outro alguém?
Por que que eu gasto tempo sempre sempre a perguntar? (A perguntar)

Por que que eu passo a vida inteira com medo de morrer?
Por que que os sonhos foram feitos pra gente não viver?
Por que que a sala fica sempre arrumada se ela passa o dia inteiro fechada?
Por que que eu tenho a caneta e não consigo escrever? (Escrever)

Por que que existem as canções que ninguém quer cantar?
Por que que sempre a solidão vem junto com o luar?
Por que que aquele que você quer também já tem sempre ao teu lado outro alguém?
Por que que eu gasto tempo sempre sempre a perguntar?
(A perguntar)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Maria Célia no Blônicas

Para quem gosta deste blog e de crônicas, tenho boas notícias.
Há um mês enviei uma crônica que escrevi aqui para o Às Claras, chamada Crônica de quarta-feira para um concurso de crônicas do site Blônicas. Este é um site que me foi apresentado ainda na faculdade e que reúne grandes jornalistas, escritores e compositores que apreciam uma boa história cotidiana, sendo esta real ou não. É o meu site favorito quando o assunto é crônica.

A grande surpresa é que a personagem da crônica enviada, a Maria Célia, parece ter conquistado os jurados por lá. Fiquei em segundo lugar e em breve receberei alguns livros em casa como prêmio. A vitória, no entanto, é nossa! Isso só significa que o trabalho feito aqui está sendo apreciado e valorizado.

Por isso hoje eu venho agradecer.
Obrigada pelas visitas, queridos! Pelos comentários e principalmente, pelas leituras! Até a próxima.